sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Longe de você tudo é saudade


Trancar o dedo numa porta dói. 
Bater com o queixo no chão dói. 
Torcer o tornozelo dói. 
Um tapa, um soco, um pontapé, doem. 
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. 
Mas o que mais dói é a saudade. 
Saudade de um irmão que mora longe. 
Saudade de uma cachoeira da infância. 
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. 
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. 
Doem essas saudades todas. 
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. 
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. 
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
...
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. 
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, 
está sentindo agora depois que acabou de ler.

Miguel Falabella.

Nenhum comentário:

Postar um comentário